sábado, 5 de janeiro de 2019

The Saker – trad: btpsilveira
(análise escrita originalmente para o site Unz Review)
O ano de 2018 entrará para a história como o de uma reviravolta na evolução do ambiente geoestratégico de nosso planeta. Existiram várias razões para isso e não conseguirei enumerá-las todas. Mas colocarei aqui algumas que considero as mais importantes:
O Império piscou. Várias vezes.
Foram os acontecimentos mais marcantes do ano: o Império AngloSionista fez todo tipo de ameaças terríveis, chegando a tomar algumas medidas realmente assustadoras, mas eventualmente, voltou atrás. Na realidade, o Império está em retirada em muitos fronts, mas vamos listar apenas alguns, cruciais:
A RPDC: (República Popular Democrática da Coreia – mais conhecida como Coreia do Norte – NT): você se recorda de todas as grandiosas ameaças feitas por Trump e seus capangas neocons? A administração chegou a anunciar que mandaria TRÊS (!) grupos navais de ataque com porta aviões nucleares para as águas da Coreia do norte, enquanto Trump esbravejava que iria “destruir totalmente” o país. Os sul coreanos eventualmente resolveram cuidar eles mesmos do assunto, abriram um canal de comunicação diretamente com o norte e todas aquelas ameaças dos Estados Unidos viraram conversa fiada.
A Síria em abril: as coisas aconteceram quando os EUA, a França e o Reino Unido resolveram atacar a Síria com mísseis de cruzeiro para “punir” os sírios, que supostamente teriam usado armas químicas (uma teoria tão absurda que nem merece ser discutida). Dos 104 mísseis disparados, 71 foram derrubados pelos sírios. Claro que a Casa Branca e o Pentágono, apoiados pela fiel mídia sionista, declararam o ataque um grande sucesso, mas nisso não há surpresa, dado que fizeram a mesma coisa durante a invasão de Granada (uma das piores operações de invasão militar da história) ou depois de uma derrota humilhante sofrida por Israel nas mãos do Hezbollah em 2006, assim essa declaração não vale grande coisa. A verdade é que a operação toda foi um fracasso militar tão acachapante que depois disso nada mais foi tentado (pelo menos até agora).
A Ucrânia: ficamos todo o ano de 2018 esperando por um ataque dos Ucronazis contra o Donbass que nunca aconteceu. Neste momento estou quase certo de que se argumentará que a junta nazista em Kiev nunca teve essa intenção, mas qualquer pessoa com um conhecimento mínimo do que aconteceu na Ucrânia este ano sabe que isso é bobagem: a junta fez de tudo para desfechar uma investida, exceto o último passo: uma ordem real de ataque. A ameaça aberta de Putin de que tal ataque acarretaria “consequências graves para a Ucrânia enquanto Estado soberano” provavelmente teve peso fundamental para conter o Império. Claro que os Ucronazis podem muito bem atacar em janeiro ou a qualquer tempo, mas o fato é que em 2018 não ousaram. Mais uma vez o Império (e seus minions) tiveram que desistir.


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