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What part will your country play in World War III?

By Larry Romanoff

The true origins of the two World Wars have been deleted from all our history books and replaced with mythology. Neither War was started (or desired) by Germany, but both at the instigation of a group of European Zionist Jews with the stated intent of the total destruction of Germany. The documentation is overwhelming and the evidence undeniable. (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) (11)

That history is being repeated today in a mass grooming of the Western world’s people (especially Americans) in preparation for World War III – which I believe is now imminent. 

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Thursday, October 8, 2026

PT -- Marco Fernandes: O espectro de Egon Bahr regressa a Moscovo

 

O espectro de Egon Bahr regressa a Moscovo

 




Em 1963, Bahr inventou a Ostpolitik (“Política Oriental”), que favoreceu a aproximação com a URSS sobre a hostilidade. Mais tarde, ele chamou a escolha de confronto do Ocidente, de “o erro do século“.

 07 Out 2026   16 min de leitura  



Na noite de 1o de Outubro, antes do plenário de encerramento da Reunião Anual do Clube Valdai — no qual tive a oportunidade de participar — Vladimir Putin fez uma digressão histórica inesperada, baseando-se em material que havia encontrado nos arquivos soviéticos. Ele recuperou os avisos, emitidos há quase quatro décadas, de um alemão que quase ninguém se lembra mais: Egon Bahr, membro da liderança do Partido Social Democrata (SPD). Foi Bahr que inventou, em 1963, a chamada Ostpolitik (“Política Oriental”), que apostou em atrair a URSS para mais perto do Ocidente em vez de antagonizar contra ela. A Alemanha, propôs Bahr, deve ser uma ponte entre os dois lados do Muro. Como Secretário de Estado na Chancelaria – por outras palavras, braço direito de Willy Brandt – Bahr negociou os Tratados Orientais de Brandt (Chanceler alemão entre 1969 e 1974). Entre 1970 e 1973, Bonn assinou os Tratados Orientais com Moscovo, Varsóvia e Berlim Oriental: reconheceu as fronteiras que surgiram da guerra e da existência da outra Alemanha, em troca de trânsito garantido e visitas familiares. Esta era a fórmula de Bahr na forma legal – aceitar o que existe para que as ocorrências possam mudar através da convivência. Os democratas-cristãos (CDU) lutaram contra os tratados a ponto de quase derrubar Brandt: a moção de desconfiança de 1972 falhou por apenas dois votos.

 

Em Valdai, Putin leu três passagens do arquivo soviético. No primeiro, Bahr identificou, dentro da própria NATO/OTAN, os círculos que não têm qualquer desejo de tomar o caminho da cooperação pan-europeia e de encerrar o confronto. No segundo, advertiu que, sem medidas decisivas para superar a divisão da Europa em blocos hostis, os desenvolvimentos assumiriam um caracter extremamente desfavorável, condenando a URSS ao isolamento internacional. E definiu o que deveria substituir os blocos: um Conselho de Segurança com amplas potências, reunindo os Estados Unidos, a União Soviética e toda a Europa Central e Oriental – com a NATO não avançando para leste. Ao encontrar esse assunto nos arquivos, Putin disse, alertando que estava prestes a parecer “não diplomático”: “meu queixo caiu”. Diante de uma Alemanha cuja retórica se torna mais agressiva a cada dia, e que insiste em alimentar o espectro da “ameaça russa”, é de facto de cair o queixo que uma das principais mentes da política externa alemã, há mais de duas décadas, deveria estar tão alerta para os perigos de uma incompatibilidade aguda entre o Ocidente e a URSS, e deveria ter proposto uma arquitetura de segurança nova e ousada para a Europa, além de se opor à expansão da NATO para leste. Para o Presidente russo, é como se Bahr tivesse  antecipado os acontecimentos numa bola de cristal.

 

É importante notar o momento em que isso foi dito. Vinte e quatro horas antes, Moscovo havia enviado à NATO um memorando alertando que recorreria a todos os meios disponíveis em sua defesa, caso a aliança tentasse impor um bloqueio a Kaliningrado. Em Valdai, Putin disse que as armas nucleares não foram mencionadas; no entanto, naquele mesmo dia, o representante permanente da Rússia na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, Dmitry Polyansky, disse numa reunião do Conselho Permanente da organização, que, num caso como este, está prevista uma resposta nuclear nos documentos doutrinários russos . No mesmo dia 1 de Outubro, o Chanceler alemão Friedrich Merz estava alertando que a Europa deve preparar-se para operações híbridas russas expandidas. É nessa atmosfera que o Presidente russo escolhe falar sobre a Alemanha. Mas ele refere esse assunto através da boca de um alemão.

 

Em Fevereiro de 1990, Bahr estava em Moscovo, em representação do grupo parlamentar do SPD, acompanhado pelo deputado Karsten Voigt, e disse a Aleksandr Yakovlev – o arquicteto de Perestroika – na presença de Valentin Falin, que tinha sido embaixador soviético em Bonn durante os anos Ostpolitik, que Helmut Kohl (da CDU, então Chanceler alemão) queria “NATO até ao rio Oder”, e que se a União Soviética não fizesse nada para impedi-lo, ele nunca mais voltaria a Moscovo – como Putin nos contou. No dia seguinte, ele propôs ao ministro das Relações Exteriores soviético, Eduard Shevardnadze, um sistema de segurança europeu com seu próprio comando, ao qual  estaria vinculada uma Alemanha unificada em vez de blocos opostos – e advertiu que, se Moscovo aceitasse a adesão alemã à NATO, o próprio SPD mudaria de posição e capitularia. Shevardnadze respondeu: “A União Soviética não vai capitular”. Três meses depois, em Washington, Gorbachev concedeu à Alemanha o direito de escolher a sua aliança. Dezoito meses depois, a União Soviética, literalmente, capitularia. Pouco depois, irónica ou tragicamente, o optimista Shevardnadze tornar-se-ia Presidente da antiga república soviética da Geórgia.

 

Putin mencionou Bahr não só para criticar o actual governo alemão, ou a presidente da UE, mas também para criticar Gorbachev. A liderança soviética, disse ele, “ouvia, ouvia e não fazia nada”. Voigt – um atlantista convicto, que discordava de Bahr dentro de sua própria delegação – publicou a sua versão da reunião em 2016: os soviéticos “não tinham concepção própria”, eram contra a adesão à NATO, mas “não tinham alternativas convincentes para oferecer”, e pareciam mais interessados nas relações com Washington. Sete semanas depois, Falin escreveria a Gorbachev, dizendo que a política europeia soviética havia caído em “contemplação e reflexão, para não dizer depressão”, que “o Ocidente está a superar-nos” e que a casa europeia comum “está agora a transformar-se numa miragem”. Por outras palavras, o diplomata soviético experiente estava a prevenir contra a ilusão de que poderiam um dia ser considerados bem-vindos à chamada “civilização ocidental”.

 

É o que Putin deixou nas entrelinhas de Valdai: em 1990, um social-democrata alemão e o principal especialista da União Soviética na Alemanha fez o mesmo apelo nos lados opostos da mesa, e foram ignorados pelo mesmo homem, Gorbachev. O preço pago pela URSS, e mais tarde pela Rússia, foi elevado – e a mensagem tem um endereço duplo. Interiormente, reafirma a própria posição de Putin, alertando há muito tempo a elite russa sobre as suas ilusões em relação ao Ocidente. Exteriormente, procura lembrar aos alemães – e à Europa – que eles já foram capazes de uma política minimamente racional em relação à Rússia.

 

Qual é o custo do suicídio económico da Alemanha?

 

A Alemanha a quem esta mensagem se dirigia está a atravessar um verdadeiro declínio económico. O Instituto Económico Alemão — o IW de Colónia, um centro de estudos financiado pelas federações patronais e acima de qualquer suspeita de simpatias pela Rússia — calculou, em Fevereiro deste ano, que, desde 2020, a economia alemã acumulou um défice de produção de quase um trilião de euros. Em 2025, a produção alemã mal ultrapassou o seu nível de 2019. Seis anos de paralisia, por outras palavras. O Instituto Económico Alemão (IW) não distingue os choques: a pandemia, a guerra e a política de confronto de Washington têm-se sobreposto desde 2022. Mas a parte da conta relativa à energia é simplesmente impressionante.

 

Em 2021, a Rússia representou 55% das importações alemãs de gás, e somente o gasoduto Nord Stream 1  forneceu 59,2 biliões de metros cúbicos, acima de sua capacidade nominal. O gás russo foi o combustível de uma estrutura industrial construída sobre energia barata. O TTF, o preço de referência do gás da Europa, ficou abaixo de 20 euros por megawatt-hora durante a maior parte de 2019 e 2020; em Setembro de 2026, após o pico de 340 euros em 2022, ainda ficou entre 73 e 80 – três a quatro vezes o nível anterior. A Alemanha substituiu os oleodutos russos por navios chegados de muito longe: no primeiro trimestre deste ano, 89% de seu GNL veio dos Estados Unidos. Entre 2022 e 2025, a União Europeia gastou cerca de 281 biliões de euros em gás liquefeito, dos quais 131,5 biliões foram em cargas americanas. Houve uma enorme transferência de rendimentos/receitas através do Atlântico.

 

Em 2021, a Rússia representou 55 % das importações alemãs de gás, e só o Nord Stream 1 forneceu 59,2 mil milhões de metros cúbicos, um valor superior à sua própria capacidade nominal. Este foi o combustível de uma estrutura industrial assente na energia barata. O TTF, o preço de referência do gás na Europa, manteve-se abaixo dos 20 euros por megawatt-hora durante a maior parte de 2019 e 2020; em Setembro de 2026, após o pico de 340 euros atingido em 2022, ainda se situava entre 73 e 80 — três a quatro vezes o nível anterior. A Alemanha substituiu os gasodutos russos por navios vindos de longe: no primeiro trimestre deste ano, 89 % do seu GNL provinha dos Estados Unidos. Entre 2022 e 2025, a União Europeia gastou cerca de 281 biliões de euros em gás liquefeito, dos quais 131,5 biliões foram destinados a cargas americanas. Verificou-se uma enorme transferência de rendimentos através do Atlântico.

 

O impacto na economia real está patente nas estatísticas oficiais. De acordo com o Destatis, o instituto federal de estatística da Alemanha, a produção nos sectores de elevado consumo energético registou uma queda de 15,2% entre Fevereiro de 2022 e Março de 2026, contra 9,5% no conjunto da indústria. A consultora EY, com base em dados desse mesmo instituto federal, contabilizou 124 000 postos de trabalho industriais eliminados em 2025, quase o dobro do valor registado em 2024, dos quais 50 000 pertenciam à indústria automóvel. Desde 2019, a indústria alemã perdeu cerca de 266 000 postos de trabalho, e o sector automóvel 111 000 — 13% do seu total. O quarto trimestre de 2025 foi o décimo trimestre consecutivo de contração das receitas industriais.

 

O mais revelador, no entanto, é a decisão silenciosa do capital: num inquérito a 3 000 empresas, quatro em cada dez afirmam estar a considerar reduzir a produção na Alemanha ou transferi-la para o estrangeiro — uma proporção que se situava nos 21 % em 2022. Enquanto a BASF inaugurava, em Março deste ano, um complexo de 10 biliões de euros em Zhanjiang, na China — o maior investimento individual da sua história —, a ArcelorMittal informava o governo alemão de que não iria construir as suas fábricas de aço ecológico em Bremen e Eisenhüttenstadt, renunciando a 1,3 biliões de euros em subsídios já aprovados. A razão invocada foi o preço da eletricidade na Alemanha. O seu CEO, Geert van Poelvoorde, declarou: «A indústria siderúrgica europeia está sob uma pressão sem precedentes para se manter viável — e isto sem contar com os custos adicionais necessários para a descarbonização.» O PIB caiu 0,3% em 2023 e 0,2% em 2024, tendo crescido 0,2% em 2025. Não se trata de um abrandamento cíclico, mas sim de uma ameaça aos próprios alicerces da base produtiva do país. Por outras palavras, é um processo acelerado de desindustrialização, causado por uma decisão política tomada em Berlim, que optou por abdicar do gás russo barato em troca do mesmo insumo três vezes mais caro e a um oceano de distância. Chamar a isto suicídio económico não é um exagero retórico.

 

Reindustrialização por meios militares: um ‘déjà vu’ sinistro

  

Perante este panorama, o governo de Friedrich Merz tomou uma decisão que já se verificou na História europeia e cujo desfecho foi verdadeiramente desastroso: a industrialização do país sob a liderança da indústria de armamento foi o que os alemães fizeram na década de 1930. A 18 de Março de 2025, o Bundestag aprovou, por 513 votos contra 207, uma emenda constitucional que isenta todas as despesas com a defesa superiores a 1% do PIB do limite da dívida. O «freio à dívida», consagrado na Lei Fundamental para disciplinar o Estado alemão, deixou de se aplicar precisamente ao rearmamento. O orçamento da defesa salta de 86 biliões de euros em 2025 para 108,2 mil milhões em 2026 e deverá ultrapassar os 150 biliões em 2029, rumo aos 3,5% do PIB. Só até Dezembro, a Bundeswehr (as forças armadas alemãs) pretende assinar 153 grandes contratos de aquisição no valor de cerca de 83 biliões de euros. A Volkswagen, uma das joias da indústria alemã, anunciou recentemente o corte de 50 000 postos de trabalho — mas, pouco antes disso, anunciou também que está a entrar no sector do armamento.

 

A retórica tem acompanhado o ritmo do orçamento e torna-se cada vez mais alarmante. Em Junho de 2024, no Parlamento, o Ministro da Defesa, Boris Pistorius — um social-democrata — definiu o objectivo numa frase que passou a fazer parte do vocabulário político alemão: «temos de estar preparados para a guerra até 2029». Merz, na sua primeira declaração governamental, prometeu tornar a Bundeswehr «o exército convencional mais forte da Europa». A 29 de Setembro de 2025, em Düsseldorf, advertiu que estava prestes a dizer algo «talvez um pouco chocante à primeira vista»: «não estamos em guerra, mas também já não estamos em paz». A guerra da Rússia, acrescentou, é «uma guerra contra a nossa democracia e uma guerra contra a nossa liberdade».

 

A Alemanha e a Rússia têm mantido uma relação complexa, por assim dizer, há séculos. Catarina II, a Grande, czarina da Rússia (1762–1796), era uma princesa alemã de Stettin, e a dinastia russa foi formalmente designada por Romanov-Holstein-Gottorp de 1762 a 1917. Com o Tratado de Resseguro, Bismarck vinculou a Rússia em 1887, de modo a nunca ter de lutar em duas frentes, mas os seus sucessores romperam-no em 1890, empurrando a Rússia para o lado da França e criando as condições que iriam explodir em 1914 com a Primeira Guerra Mundial. Escusado será dizer que os dois países travaram as batalhas mais sangrentas da História, depois de Hitler ter invadido a URSS em 1941.

 

Surge então um terceiro elemento que parece complicar ainda mais esta relação. Em 1962, sob pressão de Washington, a NATO proibiu a venda de tubos alemães à URSS, e as empresas alemãs tiveram de rescindir os contratos já assinados. Anos mais tarde, Brandt iria anular esse veto: em Fevereiro de 1970, foi selado o acordo alemão de «tubagens em troca de gás soviético», seis meses antes do Tratado de Moscovo — negociado por Bahr —, no qual Bona reconheceu finalmente as fronteiras do pós-guerra.

 

Em 1982, no contexto do gasoduto da Sibéria, Washington impôs sanções a empresas europeias, mas os governos europeus exigiram que os contratos fossem cumpridos na mesma, até que Reagan recuou. Esses eram os bons velhos tempos, em que a Europa ainda mantinha a sua soberania e era capaz de desafiar as sanções dos EUA. Em 2019, bastou uma mera ameaça da Casa Branca para que a empresa suíça Allseas abandonasse o Nord Stream 2 no espaço de 24 horas — e, em Fevereiro de 2021, dezoito empresas europeias tinham feito o mesmo, entre elas as entidades certificadoras e seguradoras sem as quais o gasoduto, mesmo depois de concluído, não poderia funcionar. Por fim, em Setembro de 2022, os explosivos resolveram a questão no fundo do Báltico, com o ataque terrorista ao controverso gasoduto. Numa reportagem de investigação, o célebre jornalista Seymour Hersh atribuiu a explosão a uma operação americana, o que Washington negou; o Ministério Público alemão indiciou, em Junho deste ano, um ucraniano acusado de comandar o veleiro que alegadamente transportava os explosivos. O que é certo é que a Alemanha viu a sua infraestrutura energética destruída e, quatro anos depois, ninguém foi responsabilizado e Berlim nunca tratou o episódio como um ataque, muito menos como um casus belli. Concluído em Setembro de 2021, com um custo de cerca de 9,5 biliões de euros, o Nord Stream 2 nunca chegou a funcionar nem um único dia. E o prejuízo não foi apenas da Gazprom russa — que financiou metade do projecto — mas também de empresas da Alemanha e da Áustria, 

 

Esta relação de medo e fascínio, de aliança e destruição, é o que a historiografia alemã, na sequência de Gerd Koenen, denomina «Russland-Komplex». Hoje, o pêndulo encontra-se num extremo, e o único lugar no governo onde o outro polo ainda respira é o SPD: em Junho de 2025, mais de uma centena de figuras social-democratas assinaram um manifesto apelando a «uma tentativa extraordinariamente difícil» de restabelecer o diálogo com Moscovo «assim que as armas se calarem». Pistorius, do mesmo partido, classificou o texto como «uma negação da realidade».

 

A política de Merz está sendo julgada nas urnas

    

Numa das suas respostas na sessão plenária de Valdai, Putin atribuiu a escalada agressiva da retórica europeia sobre uma suposta «ameaça russa» a uma tentativa de distrair a opinião pública, desviando a atenção dos graves problemas económicos e sociais que as principais nações europeias enfrentam. Mas, a julgar pelas últimas eleições estaduais na Alemanha, a táctica de Berlim não está a funcionar. No espaço de quinze dias de Setembro de 2026, realizaram-se três eleições: no dia 6, na Saxónia-Anhalt, onde a CDU caiu de 37% para 17% e foi derrotado pela AfD, que obteve 43,8% (o melhor resultado eleitoral da sua história); no dia 20, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, não só a AfD venceu com 38,2%, como o CDU, com 4,9%, não conseguiu entrar no Parlamento. Em Berlim, o Die Linke derrotou a coligação CDU-SPD e irá governar a capital, provavelmente com os Verdes e o SPD.

 

Merz classificou o resultado como um «desastre», mas anunciou que se mantém no cargo. O secretário de Estado Philipp Amthor, da sua própria ala do partido, resumiu o estado de espírito: «tudo está em jogo». Nas sondagens nacionais, a AfD oscila entre os 25 % e os 27 %, ao nível da CDU. O eleitorado alemão está a castigar o partido do rearmamento em ambos os flancos — à direita, a AfD, uma força que faz campanha contra as sanções e a favor do regresso do gás russo; à esquerda, o Die Linke, numa capital onde o partido que mais claramente se opôs à escalada militar acaba de vencer. Estes resultados não podem ser compreendidos sem mencionar os 124 000 despedimentos na indústria previstos para 2025 e uma fatura energética que triplicou.

 

Uma oportunidade para mais um «erro do século»?

 

Já na velhice, Bahr classificou a escolha ocidental pelo confronto como o «erro do século» e afirmou que a NATO se tinha tornado «um instrumento ao serviço da estratégia hegemónica dos Estados Unidos». Por volta da altura da morte de Bahr, George Friedman — um húngaro que fugiu do comunismo e nunca nutriu qualquer simpatia por Moscovo, fundador da Stratfor, a consultora de inteligência geopolítica apelidada de «CIA privada» — explicou a uma audiência em Chicago que «o interesse primordial dos Estados Unidos, pelo qual, durante um século, travámos guerras — a Primeira, a Segunda e a Guerra Fria — tem sido a relação entre a Alemanha e a Rússia. Porque, unidos, são a única força capaz de nos ameaçar. E para garantir que isso não aconteça». Onze anos depois, a Alemanha importa 89% do seu gás liquefeito dos Estados Unidos, perdeu o equivalente a um ano inteiro de produção e debate se já se encontra ou não em guerra. Aparentemente, a Casa Branca fez um bom trabalho. Mas Putin parece ter invocado Bahr na esperança de que o único argumento capaz de dividir o consenso alemão seja um argumento que seja, ele próprio, alemão.

 

A aposta do presidente russo deu origem a um momento invulgar na sessão plenária. Antes de colocar as suas perguntas, o editor-chefe do jornal suíço *Weltwoche*, Roger Köppel, referiu que tinha conhecido Egon Bahr e admirava a sua visão política. Putin começou a responder sobre outros assuntos até que, de repente, interrompeu o seu próprio raciocínio e disse que seria interessante saber mais sobre Egon Bahr, uma vez que nunca o tinha conhecido. E então, inesperadamente, devolveu a palavra a Köppel, pedindo-lhe que partilhasse a sua opinião sobre a política de Bahr. Apanhado de surpresa, Köppel respondeu que o tinha considerado um homem impressionante, bem-humorado e extremamente inteligente, além de realista — alguém que não estava imerso no «imperialismo moral» da Europa contemporânea e que «defendia que a Europa é um cemitério de antigos impérios, [mas] que pode ser um continente de paz e de interligação entre os EUA e a Rússia». No final da sessão plenária, um amigo do Clube Valdai disse-me que não se lembrava de outra ocasião em que o presidente tivesse feito uma pergunta a alguém da audiência.

 

Eu falei com um analista político russo experiente que acompanhou os discursos de Putin de perto por muitos anos, e ela me disse que este era um discurso raro, acima de tudo na sessão de perguntas e respostas, em que o presidente russo falou com grande franqueza, em um tom que às vezes beirava o sombrio e mostrava preocupação genuína sobre a atual situação geopolítica. Em sua opinião, Putin parecia estar fazendo um apelo às elites globais de tomada de decisão, como se dissesse que é sua responsabilidade impedir que os processos de transformação da ordem mundial girem fora de controle, porque, caso isso aconteça, não haverá vencedores. Ela acrescentou: “Em seu tom, este discurso me fez lembrar o famoso na Conferência de Munique em 2007”. 

 

Falei com uma analista política russa experiente que tem acompanhado de perto os discursos de Putin há muitos anos, e ela disse-me que este foi um discurso invulgar, sobretudo na sessão de perguntas e respostas, em que o Presidente russo falou com grande franqueza, num tom que, por vezes, beirou o sombrio e revelou uma preocupação genuína com a situação geopolítica actual. Na sua opinião, Putin parecia estar a lançar um apelo às elites decisoras globais, como se dissesse que é da responsabilidade delas impedir que os processos de transformação da ordem mundial fiquem fora de controlo, porque, caso isso aconteça, não haverá vencedores. Acrescentou: «pelo seu tom, este discurso lembrou-me o famoso discurso da Conferência de Munique, em 2007».

 

Ao ouvir a observação de Köppel sobre o «imperialismo moral» e sobre «a Europa como um cemitério de impérios», Putin respondeu: «Talvez seja por isso que muitos na Europa querem acabar de destruir o Império Russo, que já não existe há muito tempo? Mas eles, aparentemente, não sabem disso.» A última vez que a Alemanha adoptou uma retórica tão agressiva contra a Rússia, ao mesmo tempo que se autoproclamava «o exército mais poderoso da Europa» — como pretende Friedrich Merz —, a humanidade foi mergulhada na maior e mais sangrenta guerra da sua História. Mas, aparentemente, os alemães já não se lembram disso — nem de Egon Bahr.

 

Tradução: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com  

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Discurso do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, Tradução em português




Presidente da Rússia, Vladimir Putin: Cidadãos da Rússia, Amigos,

Considero ser necessário falar hoje, de novo, sobre os trágicos acontecimentos em Donbass e sobre os aspectos mais importantes de garantir a segurança da Rússia.

Começarei com o que disse no meu discurso de 21 de Fevereiro de 2022. Falei sobre as nossas maiores responsabilidades e preocupações e sobre as ameaças fundamentais que os irresponsáveis políticos ocidentais criaram à Rússia de forma continuada, com rudeza e sem cerimónias, de ano para ano. Refiro-me à expansão da NATO para Leste, que está a aproximar cada vez mais as suas infraestruturas militares da fronteira russa.

É um facto que, durante os últimos 30 anos, temos tentado pacientemente chegar a um acordo com os principais países NATO, relativamente aos princípios de uma segurança igual e indivisível, na Europa. Em resposta às nossas propostas, enfrentámos invariavelmente, ou engano cínico e mentiras, ou tentativas de pressão e de chantagem, enquanto a aliança do Atlântico Norte continuou a expandir-se, apesar dos nossos protestos e preocupações. A sua máquina militar está em movimento e, como disse, aproxima-se da nossa fronteira.

Porque é que isto está a acontecer? De onde veio esta forma insolente de falar que atinge o máximo do seu excepcionalismo, infalibilidade e permissividade? Qual é a explicação para esta atitude de desprezo e desdém pelos nossos interesses e exigências absolutamente legítimas?

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Excertos da transcrição da sessão plenária do Fórum Económico Oriental

THE PUTIN INTERVIEWS


The Putin Interviews
by Oliver Stone (
FULL VIDEOS) EN/RU/SP/FR/IT/CH


http://tributetoapresident.blogspot.com/2018/07/the-putin-interviews-by-oliver-stone.html




TRIBUTE TO A PRESIDENT


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Parte Um: O Filho

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