THE PUTIN INTERVIEWS


The Putin Interviews
by Oliver Stone (
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Saturday, 17 February 2018

PT -- GUERRA NUCLEAR: 2.9 A Bomba secreta de Israel – Parte 1







MANLIO DINUCCI

GUERRA NUCLEAR

O DIA ANTERIOR


De Hiroshima até hoje:

Quem e como nos conduzem à catástrofe




2.9 A Bomba secreta de Israel – Parte 1

Enquanto os EUA, a Grã-Bretanha e a União Soviética procuram impedir, com o Tratado de Não-Proliferação, que outros países entrem no club nuclear, do qual fazem parte, em 1968, cinco membros, um sexto país infiltra-se no círculo das potências nucleares, conseguindo não só entrar pela porta de serviço, do nuclear civil mas, uma vez lá dentro, a tornar-se oficialmente invisível: o convidado de pedra é Israel. No mesmo momento em que, em 1968, se torna aberto às assinaturas o Tratado de Não-Proliferação, ele está já a distribuir em segredo, as suas primeiras armas nucleares. A história sobre como Israel consegue construí-las, sem nunca revelar a sua existência, desenvolve-se no mundo escuro dos assuntos nucleares. 

O programa nuclear militar começa no mesmo ano do nascimento de Israel; em 1948, sob ordens do Ministro da Defesa, um grupo de cientistas efectua prospecções no deserto do Negev, à procura de urânio. Encontrado um mineral de baixo teor de urânio, aperfeiçoam um processo para extraí-lo e desenvolvem, também, um novo método para extrair água pesada, que serve de moderadora nos reactores nucleares. Neste ponto, Israel tem necessidade de um reactor. Para obtê-lo, volta-se secretamente para a França, com a qual já colabora no sector nuclear: cientistas israelitas participaram, no início dos anos 50, na construção de um reactor de água pesada e num projecto de reprocessamento, em Marcoule.

A resposta de Paris chega, sempre num envelope selado, no Outono de 1956, poucas semanas antes das forças israelitas invadirem o Sinai egípcio, para dar à França e à Grã-Bretanha a maneira de ocupar a zona do Canal do Suez, depois da nacionalização do mesmo, decidida por Nasser. Para recompensar Israel, logo que acaba a crise do Suez, o governo francês envia os seus técnicos para construir, no máximo segredo, um bunker subterrâneo em Dimona, no deserto do Negev, um reactor nuclear de 24 megawatt de potência. Para fazer chegar os componentes ao reactor, em Israel, o governo francês envolve-se em contrabando, declarando à sua própria alfândega, que são partes de uma fábrica de dessalinização, destinada, no quadro da cooperação internacional, a um país da América Latina.

As autoridades israelitas também fazem o seu melhor para esconder a verdadeira natureza dos trabalhos de construção, que são fotografados em 1958, antes que um espião aéreo americano,  sem temer contradizer-se, declarara que se trata de uma fábrica têxtil, depois diz  ser uma estação agrícola, em seguida, um centro de pesquisa metalúrgica. Ao mesmo tempo adquirem da Noruega, por baixo da mesa, 20 toneladas de água pesada com base num contrato, tornado conhecido, 30 anos depois, que vincula a parte que a adquire, a usá-la unicamente para fins pacíficos. O governo norueguês foi verificar só uma vez,quando a água pesada, chegada a Dimona, ainda estava nos bidões, no exterior da fábrica. Depois não foi lá mais, fiando-se na palavra dada em segredo, pelo governo israelita.
  
Porém, logo depois, em Maio de 1960, o Presidente De Gaulle, temendo que um eventual escândalo, enfraquecesse a posição internacional da França, no momento delicado em que estava comprometida com a guerra da Argélia, pede ao Primeiro Ministro isrealita, Ben Gurion, para tornar o projecto do conhecimento público. Porém, este recusa. O contencioso resolve-se com um compromisso formal: a França completará o fornecimento dos componentes do reactor e da matéria físsil; em troca, Israel revelará a existência do reactor e empenhar-se-á a usá-lo só para pesquisa nuclear civil. Em Dezembro de 1960, Ben Gurion anuncia ao mundo a existência do reactor, garantindo que será usado para fins exclusivamente pacíficos.

Sobre a cena em que se recita a comédia do nuclear pacífico, entra nesta altura, outro actor, o governo dos EUA, que pede oficialmente a Israel para submeter o reactor de Dimona a inspecções internacionais. O governo israelita aceita, pondo uma única condição; as inspecções devem se efectuadas pelo governo dos EUA, que depois comunicará os resultados aos outros. Assim, entre 1962 e 1969, chegam a Dimona,  em várias ocasiões, os inspectores enviados por Washington. São alguns dos maiores peritos nucleares. No entanto, eles são bastante ignorantes ou desonestos, para não notar que os locais que estão a visitar são uma ‘mise-en-scène’, com instrumentos falsos  que imitam processos inexistentes do nuclear civil, e que sobre o pavimento está um enorme bunker de oito andares onde se constroem armas nucleares. Com base nos resultados das inspecções, quer o Presidente Lyndon Johnson, quer o Presidente De Gaulle, asseguram oficialmente, que a instalação é usada apenas, para fins pacíficos. Entretanto, em 1965, na Nuclear Materials and Equipment Corporation, uma empresa americana com sede em Apollo (Pennsylvania), são «perdidos» 90 kgs de urânio altamente enriquecido, que, com toda a probabilidade, reaparece em Israel.

Deste modo, as instalações de Dimona são completadas e, provavelmente, em 1966, começam a produzir armas nucleares. Para protegê-las, são instalados à sua volta, 25 mísseis antiaéreos Hawk, fornecidos pelos EUA. Em 1967, Israel já tem, pelo menos, duas bombas nucleares, que distribui secretamente na Guerra dos Seis dias. Os vectores que as podem transportar (entre os quais os caças A-4E Skyhawks e o F-4E Phantoms) foram também fornecidos pelos EUA. O Egipto, antes da guerra, procura obter armas nucleares da União Soviética, mas Moscovo não lhas dá.

Israel prepare-se de novo para usar armas nucleares quando, na fase final da Guerra do Kippur, em Outubro de 1973, as suas forças se encontram em dificuldades devido ao ataque egípcio e sírio. A decisão foi tomada secretamente, pela Primeira Ministra, Golda Meir e pelo Ministro da Defesa, Moshe Dayan: ogivas nucleares de 20 kiloton estão prontas a ser lançadas sobre o Egipto e sobre a Síria pelos mísseis Jericho 1 (construídos em Israel sob projectos franceses) e por caça bombardeiros fornecidos pelos EUA. A história completa, compreendendo o número de ogivas nucleares, será, em seguida, voluntariamente vazada pelos serviços secretos israelitas, para advertir os países árabes que Israel tem armas nucleares e que está pronto a usá-as. Depois da guerra do Kippur, o programa nuclear israelita acelera, desenvolvendo um processo  mais rápido para o enriquecimento do urânio e a miniaturização das ogivas nucleares, para poder usá-las também nos canhões 175 e 203 mm, fornecidos pelos EUA.

Que Israel possui uma capacidade nuclear militar desenvolvida, embora não o admitindo, nesta altura já não é segredo. No entanto, o governo israelita não se contenta em desenvolver as suas próprias armas nucleares. Procura por todos os meios, conservar o monopólio dessas armas no Médio Oriente, impedindo que os países árabes desenvolvam programas nucleares, com os quais um dia podiam construí-las. Fundamentados nesta estratégia, seguramente concordada por Washington, em 7 de Junho de 1981, Israel lança um ataque contra o reactor Tammuz-1, que está para entrar em funções em Osiraq, no Iraque: 8 caças F-16, acompanhados de 6 F-15, fornecidos pelos EUA e guiados pelo sistema americano de satélites, atingem o reactor com 15 bombas de mais de 900 kgs, destruindo-o. É o primeiro ataque no mundo, contra um reactor nuclear, para mais pertencente a um país, que ao contrário de Israel, aderiu ao Tratado de Não-Proliferação de armas nucleares (O Iraque assinou e, 1968 e ratificou em 1969) e que também pode ser submetido às inspecções da Agência Internacional da Energia Atómica (IAEA).
                                                                                                                                                                                                                                    
A seguir:





Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

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TRIBUTE TO A PRESIDENT


NA PRMEIRA PESSOA

Um auto retrato surpreendentemente sincero do Presidente da Rússia, Vladimir Putin

CONTEÚDO

Prefácio

Personagens Principais em 'Na Primeira Pessoa'

Parte Um: O Filho

Parte Dois: O Estudante

Parte Três: O Estudante Universitário

Parte Quatro: O Jovem especialista

Parte Cinco: O Espia

Parte Seis: O Democrata

Parte Sete: O Burocrata

Parte Oito: O Homem de Família

Parte Nove: O Político

Apêndice: A Rússia na Viragem do Milénio


DANIELE GANSER

contaminação nos Açores



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